Multidões queer: notas para uma política dos “anormais”
Resumo
Este artigo trata da formação dos movimentos e das teorias queer, da relação quemantêm com os feminismos e da utilização política que fazem de Foucault e de Deleuze.Também explora as vantagens teóricas e políticas da noção de “multidão” em relação à“diferença sexual” para a teoria e o movimento queer. Diferentemente do que ocorre nosEstados Unidos, os movimentos queer na Europa inspiram-se nas culturas anarquistas e nasemergentes culturas transgêneros para combater o “Império Sexual”, propondo, notadamente,uma desontologização das políticas de identidades. Não há mais uma base natural (“mulher”,“gay” etc.) que possa legitimar a ação política. O que importa não é a “diferença sexual” ou a“diferença dos/as homossexuais”, mas as multidões queer. Uma multidão de corpos: corpostransgêneros, homens sem pênis, gounis garous, ciborgues, femmes butchs, bichas lesbianas...A “multidão sexual” aparece, assim, como o sujeito possível da política queer.
